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Era uma vez.... um brasileiro de 25 anos, recém chegado da Bahia, foi a um bar gay no Bairro Alto, em Lisboa, e sentou-se a uma mesa na intenção de passar uma noite agradável. Logo descobriu, na mesa ao lado, dois belos rapazes: um deles era moreno e ainda mais belo do que o outro, e foi nesse que ele mais reparou. O outro era igualmente belo, mas tinha um cabelo demasiado louro e brilhante, tipo nórdico, o que achou menos sensual. Ambos lhe dirigiram um sorriso. Não diziam nada um ao outro, como velhos conhecidos que não necessitam falar.
Observavam os três o que se passava no bar - grupos de homens entretidos a conversar e a beber, alguns sozinhos á cata de aventuras -- e todos tinham o ar de estar a pensar no mesmo...
Até que, finalmente, o rapaz louro travou conversa com o brasileiro, que teve assim oportunidade de observar o moreno mais em pormenor e achou-o ainda mais belo. Mas, quando esperava que ele se viesse juntar a eles, este dirigiu ao amigo umas palavras que o brasileiro não conseguiu perceber, sorriu e eclipsou-se. O brasileiro ficou extremamente decepcionado. Ainda por cima, só tinha meia dúzia de cêntimes no bolso e nem sequer podia dar-se ao luxo de oferecer uma bebida ao seu companheiro, para poder talvez vir a saber algo mais sobre o rapaz moreno. Mas qual não foi o seu espanto, quando o rapaz louro se virou para ele e disse: -- Tenho uma proposta a fazer-te. Mas antes, deixa-me que te ofereça uma bebida.
O brasileiro, aceitou. A conversa foi desde as suas aventuras pela noite gay de Lisboa, até á grande precisão de dinheiro do brasileiro. O rapaz louro deixou subentendido que era muito fácil ganhar dinheiro. Mas não explicou como. Queria ver se o brasileiro entrava em confidencias.
O brasileiro, como tantos de nós, tinha uma fraqueza: gostava de contar as suas proezas. Tentava intrigar o interlocutor dando-lhe a entender que era só pôr um pé fora de casa para se ver logo rodeado de novas aventuras e de propostas super interessantes.
O companheiro escutava-o a sorrir. Quando o brasileiro acabou de se gabar, o rapaz louro disse: -- Foi isso que eu calculei assim que te vi. Tu és o tipo de pessoa que eu procuro. Um aventureiro como eu. Pois vejo-me neste momento a braços com um problema muito delicado. Uma coisa absolutamente excepcional. Não sei se já alguma vez foste para a cama com alguém por dinheiro? Mas já me disseste que precisas muito de dinheiro. Pois, bem, eu posso arranjar-te um modo extremamente agradável e fácil de o ganhar.
Ouve-me, com atenção. Trata-se de um homem muito famoso e rico -- e tb muito belo. Podia ser adorado por quem ele quisesse, ter os mais belos homens a seus pés, mas, porém, é vitima da sua própria fama...
-- Sim, estou a perceber - interrompeu o brasileiro, pensando imediatamente em encontros românticos, mistério, sedução...
-- Mas é indispensável que aceites fazer tudo na cama. E sobretudo, que tb aceites ser passivo...
O brasileiro ardia em desejo de saber se se tratava do rapaz moreno que ali estivera sentado á mesa. Mas não se atrevia a tal. O seu interlocotor parecia bastante incomodado de se ver forçado a contar-lhe tudo aquilo, e prosseguiu: -- Tenho de velar pela segurança e pela confidencialidade dessa pessoa e não poderei revelar a sua identidade em situação alguma. Por isso, o vosso encontro dar-se-á na obscuridade... -- Compreendo - disse o brasileiro. -- Então, já que pareces estar de acordo - respondeu o rapaz louro - acompanha-me que te conduzirei imediatamente até á pessoa em questão onde poderás resolver o teu problema de dinheiro e satisfazer ao mesmo tempo a tua sede de aventura...
O brasileiro corou de prazer. Deixaram juntos o bar. O rapaz louro levou-o até ao local onde estacionara o carro, e já com o carro em andamento, passou 300 euros para as mãos do brasileiro. Posto isto, disse que era forçado a tapar-lhe os olhos, pois não deveria ficar a saber a morada aonde ia ser conduzido, já que a aventura não iria repetir-se.
O brasileiro, ardia agora de curiosidade, ao pensar naquele belo rapaz moreno, que o obcecava, com o seu corpo provocante e os seu olhar ardente. Gostara especialmente dos seus lábios muito carnudos e sensuais que ansiava por beijar...
O trajecto não foi muito longo. Ele aceitava de bom grado todo o mistério da aventura. Tiraram-lhe a venda dos olhos antes de entrar em casa, e ficou completamente cego perante a esfuziante iluminação da entrada coberta de luzes e espelhos.
Foi conduzido através de um dos mais sumptuosos interiores que já vira - tudo branco, creme e dourado, espelhos por toda a parte, plantas exóticas, móveis belíssimos, cadeiras adamascadas e tapetes persas tão imensos e fofos que lhe abafavam o ruído dos passos.
Fizeram-no atravessar várias salas, todas elas guarnecidas de espelhos, e com vários tipo de iluminação, de modo que acabou por perder todo o sentido de orientação. Até que chegaram, finalmente, á última de todas. Sentia-se levemente ofegante.
Viu-se no meio de um quarto cuja mobília era constituída por uma cama enorme. No chão, mais tapetes persas, e cortinas de veludo nas janelas - espelhos, mais espelhos... Ficou contente ao verificar que aguentava lindamente ver o seu rosto reproduzido até ao infinito, o rosto de um belo rapaz a que o mistério da situação dava, além disso, um fulgor e uma vivacidade inabituais. O que é que aquilo tudo significava ? Mas nem sequer teve tempo de fazer mais perguntas.
O rapaz moreno do bar entrou no quarto, e precisamente nessa altura, o rapaz louro que o acompanhara desapareceu.
Mudara de roupa. Trazia agora umas calças de ganga azuis e uma camisa castanha de veludo desabotoada até ao meio do peito deixando á mostra uma pele reluzente firme e bronzeada... O brasileiro, sentia-se totalmente extasiado perante tanta beleza e sensualidade e tentou reprimir-se. Custava-lhe a acreditar que um rapaz tão belo como aquele lhe estivesse a pagar para fazer amor com ele.
Que esperava ele de si ? Seria capaz de o satisfazer ? Dispunha apenas de uma noite para amar aquele rapaz maravilhoso e sabia que esses momentos lhe ficariam na memória para sempre. Depois... nunca mais o tornaria a ver...
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