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Daniel vem ver-me com esse seu olhar sempre surpreendido e maravilhado, que tanto me encanta, cheio de reflexos, como um rio. Um olhar esfomeado, ávido, e nu, como todos os olhares deviam ser - sempre sedento de novas descobertas e novas contemplações.
Sobre o seu olhar, vejo umas sobrancelhas espessas, e selvagens. Atenuadas por uma fronte luminosa e um cabelo macio. A sua pele é frágil, e o nariz e a boca vulneráveis e transparentes, que provocam em mim um desejo quase violento e passional.
Tudo quanto o seu olhar consegue açambarcar, tudo o que lhe acontece, tudo quanto lhe passa pelas mãos, tudo ele sujeita a uma contemplação minuciosa.
Não beija, não deseja, não possuí nem goza sem antes tudo contemplar cuidadosamente.
Eu gosto desta sua personalidade possessiva, porosa, sensitiva, sobretudo quando não fala, quando se assemelha a um animal manso e sensual, quando me devora com o seu olhar insaciável. E perigosamente inteligente.
Quem o vê a passear-se calmamente no seu paço de gato, com o olhar cheio de descobertas, percebe logo que ele não é um rapaz como os outros. E mais parece vogar sem amarras, como um barco...
Passeia, corre tudo, explora, visita lugares perdidos, escreve contos, acumula conhecimentos, saboreia novas emoções. Senta-se na minha varanda a olhar para o céu, com aquele seu olhar faminto...
- Gosto de estar aqui contigo - diz-me.- Sinto-me tão bem! É como se a tua casa e o teu jardim, fizessem parte do paraíso. Quando aqui chego, os sofrimentos parecem-me irreais! E ao despedir-se, beija-me na cara. A penugem brilhante e macia, quase imperceptível, que lhe cobre o rosto, é como uma carícia sensual na minha pele. E esse seu beijo na minha face, quase tocando os meus lábios, que se demora um pouco mais do que o tempo normal de um beijo de despedida, vem carregado de intenções e de desejos secretos que nenhum dos dois ainda ousou revelar.
Mas esta noite, decidi terminar com esta espera agonizante... E antes que ele se dirija para a porta, agarro-o pelo braço, e puxo-o para mim. Depois beijo-o com paixão, ao que ele responde com igual fúria sorvendo-me avidamente com a sua boca macia e gulosa.
Começa a despir-me, ao mesmo tempo que tb ele se vai libertando das roupas e acariciando cada pedaço da minha pele que vai a pouco e pouco descortinando. Deixamo-nos cair nus sobre o tapete da sala com os nossos corpos colados um no outro enquanto as suas mãos continuam a acariciar-me...
Faz-me deitar de costas e vai-me beijando o peito, apalpando-me os braços, a barriga, os ombros, o rabo... Põe-se em cima de mim, e enfia-me o pénis na boca. Os meus dentes sentem-no a entrar e a sair, mordem-lhe a carne, enquanto ele vai soltando gritos de prazer. Olha para mim e continua a acariciar-me, percorrendo-me o corpo com as mãos, procurando conhecer-me todo, de alto a baixo, possuindo-nos, mutuamente.
Levanta-me as pernas sobre os seus ombros, bem levantadas, de maneira a que ele possa mergulhar em mim e ver-me ao mesmo tempo... Ele quer ver tudo. Quer ver o pénis a entrar e a sair de mim, brilhante, comprido e teso. Soergo-me e apoio-me nas mãos, procurando abrir completamente o anus ás arremetidas dele. É então que me vira de costas e se deita sobre mim como um cão no cio, voltando a enterrar-me o pénis no anus, segurando-me as ancas com as mãos, acariciando-me ao mesmo tempo que me penetra.
Demora-se a vir, possuí-me lentamente, amando-me, devagar, como nunca ninguém antes me amou.
Mas eu não aguento mais conter-me, e peço-lhe que se venha para dentro de mim. E ai, sinto-o a arremeter com mais violência, acompanhando-me até ao auge do orgasmo, até que eu grito, e ele, no mesmo instante, se vem... Exaustos, deixamo-nos cair sobre o tapete, libertos...
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