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Lolito
Era uma vez... um rapaz de uma espantosa beleza, uma graça, e um encanto infalíveis na arte da sedução. Vivia e movimentava-se em grande estilo tanto envergando fatos do mais elegante e fino corte, como as vestimentas mais simples. Pois, qualquer peça de roupa que ele vestisse da mais chique á mais simples, tornava-se imediatamente moda. E assim, como era visto a jantar nos restaurantes mais luxuosos das cidades por onde se movimentava , também podia ser visto a jantar uma "sardinhada" numa qualquer tasca típica de Lisboa, pois a sua pessoa tornava qualquer local modesto onde se encontrasse, num verdadeiro palácio, e na sua companhia, a comida mais simples tornava-se num verdadeiro manjar dos deuses.
E em toda a parte se tornava imediatamente o centro das atenções, tanto de mulheres como de homens. E para agradar a todos, mudava, como o mais dotado actor, constantemente de papel. Era o mais espirituoso, e gentil dos convivas e, nos tête-á-tête, o mais romântico sedutor. Sabia velejar, montar a cavalo, guiar um carro desportivo como ninguém. Conhecia todas as grandes cidades como se lá tivesse vivido a vida inteira. Todos, na alta sociedade, o conheciam e admiravam. Pois, tanto era capaz de oferecer as mais inesquecíveis noites de amor e do sexo mais intenso e maravilhoso, a uma bela e sedutora mulher, farta de sexo morno com o seu frouxo esposo, como satisfazer até á exaustão o esposo da mesma.
Tornara-se, em resumo, indispensável. Quando precisava de dinheiro amantizava-se com algum senhor de boas poses que lhe soubesse ser generoso, e não olhasse a despesas para o manter a seu lado. Ou desposava uma herdeira rica, que arruinava até ao ultimo centavo, posto o que mudava de país por algum tempo. Era raro as suas vitimas revoltarem-se ou avisarem a policia. As poucas semanas ou os poucos meses de idílio com aquele homem maravilhoso, haviam-nos tocado mais do que a perda da fortuna. E muitos, mais estariam dispostos a perder se pudessem, só para o ter mais uma vez, tal era a intensidade desses momentos. Pois tinham a impressão de ter conhecido por momentos a grande vida, de ter planado acima da mediocridade.
Tão alto os levava, de encanto em encanto, que a sua partida mais parecia um levantar voo. Era por assim dizer natural, pois não havia par que o pudesse acompanhar em tão altos voos.
Ora esse aventureiro livre, imponderável, esse que assim saltava de ramo doirado em ramo doirado, por pouco não caio no laço do amor, ao encontrar, uma bela noite, numa boate da moda, o mais belo dos travestis da capital: Lolito, de 20 anos, brasileiro. Os seus olhos de amêndoa não se fechavam como os dos outros rapazes, mas como o das onças, pumas e leopardos, ambas as pálpebras juntando-se com sorna lentidão, parecendo quase cozidas uma á outra á altura do nariz, o que lhe dava um olhar oblíquo e lascivo, aprisionando para sempre quem os mirasse pela primeira vez. E a pele que cobria o seu corpo fresco de adolescente, pálida e resplandecente, tinha a perfeição e a frescura dos anjos.
Quando foi aos bastidores para o ver, estava ele a preparar-se para entrar em cena, no meio de uma profusão de flores e plumas; e, para delícia dos admiradores sentados á sua volta, estava nesse preciso momento entretido a pintar com batom os lábios que lembravam os mais deliciosos e tentadores morangos. Apesar de se estar a maquilhar e a vestir de mulher, a sua sensualidade viril de adolescente imberbe, continuava aparentemente intocável, pois em vez desta se ocultar por baixo da caricatura da mulher, que estava a interpretar, antes se realçavam uma á outra. como se em nenhum momento se chegassem sequer a tocar. E era precisamente, essa ambiguidade sexual, e androginia, que o fazia agradar, tanto a homos quanto heteros. Quando Daniel entrou, mal ergueu a cabeça para sorrir. Pousara o pé em cima de uma mesinha e arregaçara a saia de folhos, e com as suas mãos ágeis e perfeitas começou a ajeitar as meias cor de carne, que lhe cobriam as pernas esguias e de discreta grossura viril.
O seu traseiro mais parecia uma flor de estufa, o mais tentador e irresistível do que Daniel já alguma vez vira. E o pénis, estavam rodeado com pêlos fartos e crespos, de um negro luzidio. Não conseguiu o belo Daniel convencê-lo a cear com ele. E a sua entrada em cena era apenas o preludio do verdadeiro numero que ele executava. Agora, sim, é que principiava o espectáculo que tão célebre o tornara em quase todo o mundo. O mais belo e sedutor travesti que a todos arrancava suspiros de desejo. Tanto a homens quanto a mulheres.
Tornara a pôr o vestido farfalhudo que usava para interpretar as suas canções românticas ou provocadoras em paybeck, mas desta vez sem peruca. Era um vestido sem alças, que lhe deixava a maior parte do corpo a descoberto. Apesar do seu corpo continuar a exibir toda a sensualidade de um adolescente viril, era fácil confundir essa virilidade, com a mais sedutora das criaturas femininas. Tudo dependia do olhar e do desejo de quem o olhasse. Era nesse preparo que ele, enquanto o espectáculo prosseguia, dava uma volta pela plateia. E ai, se lho pediam, ajoelhava-se diante de um indivíduo, desabotoava-lhe as calças, tirava-lhe delicadamente o pénis para fora com as suas mãos cobertas de um creme brilhante, e com uma precisão no gesto, uma habilidade, uma subtileza raras, chupava-lho até ele ficar satisfeito. As suas mãos mostravam-se tão activas quanto a sua boca delicada e húmida. As suas caricias quase faziam perder a cabeça aos homens. A agilidade e a destreza das suas mãos; as mudanças de ritmo, ora acariciando o pénis por inteiro, ora tocando-lhe ao de leve na ponta, massajando-o com firmeza ou brincando docemente com os pêlos - tudo isto feito por uma criatura androjena e de excepcional beleza, enquanto o publico continuava a olhar para o espectáculo que se desenrolava no palco. Ver o pénis penetrar naquela deliciosa boca de lábios carnudos e frescos, por onde se assomavam uns dentes alvíssimos, e ao mesmo tempo uma língua húmida e freneticamente lasciva, era um prazer que os homens recompensavam generosamente depositando-lhe as notas de 5 ou 10 contos entre as cuecas pretas.
A sua presença em cena preparava-os para a sua entrada nos privados. Ele provocava-os com a boca, com o rabo, com os olhos... E esperar pelo orgasmo num privado á meia luz, envolto em pesadas cortinas de pano vermelho vivo, a sentir os espectadores do outro lado da cortina, e o barulho dos homens misturado com o som do espectáculo, dava um travo excepcionalmente picante ao prazer.
Daniel quase se deixou apaixonar por Lolito e viveu com ele muito mais tempo do que vivera com outra pessoa. Ele tomou-se de amores por aquela extraordinária criatura, e, pela primeira vez viveu com alguém que não o sustentava. Apenas por amor. Mas ao cabo de alguns anos, tornou a levantar voo. O hábito estava demasiado arreigado: o hábito da mudança e da liberdade. Além disso, a beleza de Lolito começara a murchar e a perder o viço. E ele, que tb começara a envelhecer, sentia cada vez mais fome de juventude...
Partiu para Paris e alugou uma suite no Grand Hotel. Ficava contígua á do embaixador de Espanha, de passagem por Paris com a mulher e dois filhos. Também eles ficaram seduzidos pelo belo Daniel. A mulher do embaixador foi a primeira a cair-lhe na cama. Tornaram-se amantes e ele mostrou-se tão simpático e atencioso com os filhos do casal - que se aborreciam i-men-so, no hotel - que os adolescentes se habituaram a ir todas as manhãs acorda-lo com risos e brincadeiras que os seus solenes pais não lhes permitiam. Um dos adolescentes tinha 15 anos, e o outro 16. Eram ambos muito belos, com grandes olhos negros, aveludados, cabelos sedosos e uma tez doirada. Usavam uns calções coloridos pólos e ténis brancos. Os dois garotos precipitavam-se aos gritos pelo quarto de Daniel a dentro e saltavam-lhe muito divertidos para cima da cama. Ele brincava com eles agarrando-os e fazendo-lhes cócegas pelo corpo todo.
Porém, como tantos de nós, Daniel acordava sempre num estado de extrema excitação sexual. Era, de facto, imensamente vulnerável. Nem lhe dava tempo a levantar-se e ia acalmar-se, urinando, já que os miúdos atravessavam o quarto e se atiravam para cima dele, para cima do seu proeminente pénis, mal dissimulado por um espesso edredão azul claro.
Os rapazes deixavam os calções levantarem-se mostrando parte das naguedas, sem o mínimo constrangimento e as suas delgadas e compridas pernas cobertas de uma penugem clara e ainda rala a entrelaçarem-se no membro erecto sob o edredão. Davam saltos e cambalhotas, a rir, em cima dele, sentavam-se escarranchados, como se ele fosse um cavalo de corrida, e empurravam-no de um lado para o outro, pedindo-lhe que se mexesse para fazer balançar a cama. Além disso, mordiscam-no por todo o corpo, puxavam-lhe os cabelos. Tinham, com ele, conversas quase infantis. O deleite de Daniel atingia um paroxismo de doloroso suspense.
O adolescente mais novo sentava-se-lhe em cima da barriga, e a ele bastava-lhe mexer-se ao de leve para sentir prazer. Transformou isso, portanto, numa brincadeira, como se tivesse a intenção de o atirar da cama abaixo. Dizia-lhe: -- Tenho a certeza de que vais cair se continuo a mexer-me desta maneira. -- Isso é que não caio -- respondia o rapaz através dos cobertores, enquanto ele continuava a mexer-se como para o fazer cair de lado. A rir, soerguia-lhe o corpito, mas o rapazito aferrava-se a ele: as pernas, o rabo, tudo ele esfregava contra Daniel para não escorregar, no meio de muitos risos e momices. Depois foi a vez do mais velho também tomar parte do jogo, sentando-se-lhe encima das costas, enquanto o outro rapazito tentava subir encima da cabeça dele. E Daniel ia aproveitando para lhes agarrar as pernas, as coxas e os rabos, fingindo estar a segura-los, e enfiando por vezes, como quem não quer a coisa, a mão por baixo dos calções, e tocando-lhes no rabo e por vezes durante um movimento mais brusco, os seus dedos quase chegavam a enterrar-se-lhes no cuzinho. O pénis, oculto pelo espesso edredão, empinou-se outra vez entre as frágeis coxas dos garotos e foi nessa posição que ele se veio, com uma violência que raramente tinha sentido, perdendo assim a batalha de um modo que os garotos nunca suspeitariam.
Noutra manhã em que eles vieram brincar com ele, meteu as mão por baixo do edredão e levantou-o depois com um dedo, pedindo-lhes que experimentassem apanha-lo. Assim, começou, com grande interesse, a caça ao dedo, que ora desaparecia, ora reaparecia em diversos pontos da cama e que eles agarravam com firmeza. Daí a pouco, já não era só o dedo que eles apertavam com enorme vigor, e também o pénis de Daniel, aferrando-se-lhe com mais força do que nunca, para seu grande prazer. De vez em quando Daniel desaparecia por completo por debaixo do edredão, e ai, segurando no pénis com a mão, pedia-lhes que o apanhassem.
Fingia que era um animal, perseguia-os, e por vezes até tentava morder-lhes nos sítios que mais lhe agravam, no que eles pareciam sentir grande prazer. Jogavam também ás escondidas com o «bicho». O «bicho» saía de um esconderijo qualquer e saltava para cima deles. Um dia escondeu-se no guarda-fato, deitando-se no fundo e cobrindo-se com roupa. Um dos garotos abriu a porta. Agarro-o pelas pernas e obrigou-o a cair de costas sobre si; depois mordiscou-lhe devagarinho as coxas e o rabo. Era tal a excitação, tão grande a confusão da batalha e a entrega dos garotos que a sua mão vagueava amiúde por onde a guiava o desejo.
Daniel voltou a partir, mas os seus grandes voos de trapezista, que o haviam feito saltar de fortuna em fortuna, começavam a mostrar-se menos eficazes á medida que envelhecia e a procura sexual tomava a dianteira á demanda do poder e da fortuna. Parecia já não ser capaz de controlar o desejo que tinha por essas inocentes entregas sexuais, onde o interesse era apenas o prazer pelo prazer. Descartava-se dos amantes manteúdos e das esposas cada vez com mais impaciência, de modo a poder continuar em busca de sensações por esse mundo fora...
Um belo dia, já ele tinha 40 anos, teve conhecimento que uma das ex. esposas, morrera, e deixara dois filhos órfãos. Os dois filhos tinham agora 16 e 17 anos e desejavam que o pai tomasse conta deles. Mandou-os chamar. Vivia então em Nova Iorque com uma viúva podre de rica com quem tinha um filho. Esta última aceitou mal a vinda deles. Inquietava-se por causa do filho, que tinha apenas 14 anos. Depois de tanta vagabundagem, Daniel desejava agora descanso de um lar.
Tinha uma mulher de quem não desgostava e 3 filhos. A ideia de tornar a ver os 2 filhos enchia-o de alegria. Recebeu-os com grande prova de afecto. Um deles era muito belo, o outro um pouco menos, mas tinha um ar mais atrevido. Tinham sido educados ao pé da mãe, uma mulher excêntrica e devoradora de homens, e como era de se esperar, de inocentes é que eles não tinham nada.
A beleza do pai, apesar da sua idade madura, impressionou-os. Ele pelo seu lado, recordava as brincadeiras que tivera com os dois garotos em Paris, muito embora os 2 filhos fossem um pouco mais velhos, mas isso ainda tornava a situação mais interessante .
Deram-lhes uma cama grande, para os dois, e um pouco mais tarde, ainda os adolescentes trocavam impressões sobre a viagem e sobre o pai, apareceu ele a desejar-lhes a boa noite. Estendeu-se na cama ao lado deles e beijo-os. Os adolescentes retribuíram os beijos. Mas, ao beija-los, passou-lhes a mão pelo corpo palpitante e macio, que podia sentir através do lençol. Eles mostraram-se sensíveis ás caricias. E ele disse: -- Que belos que vocês são os dois! Que orgulhoso que eu sinto de vocês! Vou ficar aqui ao vosso lado, até adormecerem. Não posso deixa-los adormecer sozinhos. Há que tempo que eu não vos via!
Os adolescentes tinham apoiado a cabeça no peito do pai e fazia-lhes festas, docemente, como um bom pai, até adormecerem, um de cada lado. Os seus corpos jovens, com uma virilidade ainda a desabrochar, excitavam-no tanto, que não era capaz de sair dali. Acariciava, ora um, ora outro, com gestos de gato, para não desperta-los, mas ao fim de algum tempo, o seu desejo tornou-se tão violento, que teve de acordar um deles e tentou penetra-lo á força. O outro também não conseguiu escapar-lhe. Resistiram e debateram-se um pouco, mas já tinham visto tanta coisa na vida, ao pé da mãe, que não se importaram por aí além, e a certa altura, até deixaram transparecer que lhes estava a saber bem...
Este incesto, porém, viria a tomar tremendas proporções, pois a fúria sexual de Daniel foi aumentando até se tornar obsessiva. A simples fruição de prazer já não o libertava, nem acalmava. Antes, excitava-o ainda mais. E dos filhos passava á mulher, que possuía também com arrebatamento.
Daniel teve medo que os filhos o deixassem, lhe fugissem, e então começou a expiá-los, a tê-los por assim dizer prisioneiros. A mulher descobriu essas manigâncias e fez-lhe cenas terríveis. Mas Daniel portava-se já como um louco. Já nem sequer ligava importância nenhuma á toilett, á sua elegância, ás aventuras. Á sua fortuna. Não saía de casa, só a pensar no momento em que ia poder satisfazer-se com os 2 filhos ao mesmo tempo. Ensinara-lhes todas as caricias imagináveis. Tinham aprendido a beijarem-se um ao outro na sua presença, até ele se sentir suficientemente excitado para os possuir. Mas, os adolescentes já começavam a ficar fartos das manias, e dos excessos dele. A mulher, essa, já há muito, que se tinha ido embora de casa com o filho.
Uma noite, depois de ter feito amor com os filhos, passeava pela casa, tomado ainda de desejo, e obcecado por eróticas fantasias -- Amara os filhos até ao esgotamento, até estes acabarem por adormecer exaustos -- Mas o desejo continuava ainda a atormenta-lo. A cegá-lo. Então, saiu á caça...
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